1     12:35 PM
Na minha (pré)adolescência tive uma fase bem fetichista. Não um negócio super creepie (quer dizer, digam aí), mas assim como talvez os garotos eu curtia certas partes dos corpos masculinos. Tipo na sexta-série em que eu era completamente alucinada pela mão do Paulo. Eu nem chego a lembrar exatamente do rosto dele, mas poderia descrever com exatidão aquelas mãos (e cabelos) lindos.

Já tive isso por costas também. Na verdade devo dizer que costas eu reparo até hoje (rá). Mas essa história toda é para falar que pintas sempre tiveram um fascínio especial para mim. São como bandeiras que marcam pontos especiais a serem reparados naquele vasto mapa. Agrupadas ou separadas, pequeninas ou maiores, fazendo ou não desenhos, todas tem a sua graça.

Dia desses passava (o lixoso) Querido John na TV. Com Channing Tatum descamisado e moreno de praia. Eis que, justamente por isso, em certo momento pula da tela aquele monte de pintas de sol nos ombros. Não faço mais nada da vida agora a não ser acelerar filmes do moço (porque assistir é meio difícil, convenhamos) atrás daquelas pintas.

PS: Veia de Lutador dá pra ver bem também
0     10:07 AM
Eu sou Artreyu enfrentando o Nada e tentando desesperadamente salvar a Imperatriz Menina. Perdi Artax e não sei se conseguirei chegar ao Oráculo do Sul. Não seria ótimo se fosse o inverso? Se Fantasia pudesse invadir e inspirar a realidade?
0     12:12 PM
Ainda não dou conta de falar da morte do Tomas (sim, na véspera do dia dos pais). Foram dias muito barra pesada. Ainda o são. Estou enlutada e não posso viver essa dor de maneira apropriada por causa do trabalho.

Passo os dias apática, confusa e tentando esconder de mim mesma uma saudade tão esmagadora que me impede de respirar. A verdade é que a falta dele está impregnada nesta casa como o cheiro de carniça que perfume nenhum disfarça. 

Levei 1 semana para ter coragem de dormir na nossa cama. Ainda evito este lugar. O silêncio toda vez que abro a porta funciona como um tapa na cara que sei que vou levar por muito tempo ainda. Muita gente me diz para focar nas lembranças felizes. Heh, elas ferem bem mais - agora que ele não está aqui. 

0     7:47 PM

0     11:25 PM
Eu não tinha a menor dúvida de que essa história não ia dar certo. Acho que por isso enrolei este moço durante tantos anos. No fundo eu sabia que, sob uma lente de aumento, eu perceberia que ele é meio babaca e perderia a admiração. Obviamente manter a amizade se tornou impossível. Eu só queria um afternoon delight, minha gente. E ele nunca entenderia a piada, trouxa...
0     8:37 PM
O sumiço é porque estava trabalhando. E muito. Mas é estranho como os sonhos nos enganam e as coisas possam se ajeitar se não formos muito rígidos. Quando estudante de jornalismo, queria cobrir política e trabalhar no Le Monde Diplomatique. Pois nunca fui tão infeliz como repórter cobrindo o Congresso.

Ao invés de se mostrar um problema horrível, esta realidade foi apenas uma porta para o que agora consome o meu tempo e me traz grande satisfação: dar aulas. E alguma coisa devo estar fazendo certo, já que a primeira turma para quem lecionei na vida se forma semana que vem e me convidou para ser homenageada. O fato de eu ter um carinho especial por esses alunos só me deixa mais orgulhosa e feliz.
0     11:17 PM
Um antigo prazer que pude voltar a curtir em Brasília foi o night drinving (ótima propaganda da Volks sobre). Na noite paulistana você nunca está descompanhado (9_9), sempre há pelo menos 6 carros ao seu redor a observar.

Para mim, há duas modalidades específicas que gosto muito: assim que saio da última aula do dia, por volta das 11h da noite, quando o corpo já está exausto mas eu ainda curto a excitação de lecionar. Dirijo tranquilamente para casa, ouvindo jazz e blues (rá, a ironia da vida) observando as luzes da cidade enquanto me preparo para receber o amor, o descanso e a trégua que tanto mereço. É preciso deixar registrado o caso de amor que ando desenvolvendo por Thelonious Monk. 

Para mim, o night driving é um prazer basicamente solitário, como quando você dirige durante a viagem com todos dormindo. Há  apenas você, a música, a arquitetura e a natureza. E Brasília tem essa beleza Aeon Flux que me agrada tanto... É aí que entra a outra modalidade: A da direção da alta madrugada, quando provavelmente estou voltando da acabação. A cidade está quase deserta e posso me deixar levar pela velocidade, pelo fim do álcool, pela noite e pela possibilidade do carro ao lado no semáforo flagrar um amasso ou me ver dançando ao som de uma música alta demais.
0     2:02 PM

0     11:14 PM
Hoje acordei - ainda sob efeito de drogas - com o telefone tocando à tempo de perceber que em meia hora tinha que estar na casa da chefe (que mora a 10km de distância).

Pois consegui comer, tomar banho e chegar lá no horário parecendo sóbria. Nunca tive tanto orgulho na vida
0     3:55 PM
Morning sex*





*maior lenda da paróquia, hein? nunca que vi
0     10:55 AM
Aos 20, numa aula de antropologia, ouvi que o mundo podia ser dividido entre os que viram Casablanca e aqueles que ainda não.

Hoje, na internet, leio que o mundo pode ser dividido entre os que leram O Hobbit/Senhor dos Anéis* e os que não leram

* sempre me impressiona como muita gente se refere a esses livros como cânones da literatura, da vida, do universo e tudo o mais
0     6:17 PM
O ano mal começou e eu já experimentei a Lei do Retorno, pratiquei a paciência, rememorei antigos amantes e arrumei novos sonhos. Para os próximos meses pretendo fugir de encrencas, largar uns encostos e arrumar uma meia furada para chamar de minha
0     4:45 PM
Já ouvi uma vez que quando passo muito tempo longe daqui é que estou fazendo muito sexo. Pois bem. Falemos da minha vida sexual recente:

- Há coisa de 3 semanas, reparei que sempre que volto do trabalho está passando um programa de blues na rádio. E não pude deixar de pensar em como minha vida seria muito diferente se tivesse continuado em São Paulo

- Por falar nisso, havia um moço que sempre foi meu sonho de consumo máximo nas terras paulistanas. Um desejo iniciado muito antes de pensar em me mudar pra lá (fui em 2005, pense). Pois que por um triz muito pequeno não nos encontramos antes de eu voltar. Daí hoje li um troço tão retardado que ele escreveu nas internets que puta alivio, viu.

- Aquisições recentes: um moço que muito se parece com Hugh Jackman no papel de Wolverine e outro que muito se parece a Brienne de Tarth do Game of Thrones
0     12:05 PM
Tenho muita saudade do que não vivi. Por exemplo: imagina ter lido as irmãs Brontë na adolescência. Naquela época estava metida com poesia provençal, que me ajudava a manter uma leveza e esperança na imaginação. É verdade que era também uma galera que bem sofria, mas o negrume dos ingleses teria sido bacana naquele período.

O problema é que pouco depois conheci o Codex Seraphinianus, catei um milanês, li o O Nome da Rosa e o resto é história. Aí você pergunta "e Calvino?". Calvino chegou na hora certa...

PS: gosto também como certas coisas chegam a mim por caminhos tortos. Tipo Johnny Cash, que aprendi a gostar com um moço com cara de bebê que fumava cachimbo e depois descobri que era nazistinha
0     12:37 PM

Ano passado eu disse que se em 2012 eu não levasse uma rasteira já tava de bom tamanho. Pois foi bem uma das primeiras coisas que me aconteceu. Daí passei o resto do ano pondo em prática uma vingança travestida de melhoria.

Me vinguei e melhorei. Aliás, passei o ano assistindo westerns para ter certeza de que a execução do plano fosse um sucesso. Só que é verdade aquela história de que vingança é um veneninho amargo blabliblu.

Mas não é essa a questão. Porque não fui pra Big Whiskey largando tudo pra trás. Na verdade passei boa parte do ano arando o campo. O lance é que estou aprendendo. E isso me trouxe esperança de novo. 
0     1:31 PM
Se há um tipo de comercial que gosto são os de perfume. Por isso juro que não entendo esse assanhamento todo em torno de Brad Pitt. Se o lance é o n° 5 e foco no carão, fico com Deneuve. Para além da canastrice do moço quando colocado ao lado de quem destrói na interpretação (taí Fome de Viver que não me deixa mentir), eu realmente acho que pesa muito a direção de Helmut Newton - aquele moço safado. Você fica entre constrangido e fascinado com Catherine te confessando intimidades no escurinho.

O lance é que gosto particularmente de propagandas que envolvem coito interrompido, com menção honrosa à homenagem a Wong Kar Wai.

PS: há que se contar o importante fator nariz que tanto me agrada. Repare o perfil aquilino dos moços nesses comerciais todos
0     5:45 PM
Sei que chegou a primavera quando, depois das primeiras chuvas, ouço as cigarras e fico feliz. Eu moro numa espécie de castelo como o de Howl, onde abro uma porta e ouço tantos pássaros como numa floresta, destranco a outra e lá vem o som de sinos de uma igreja que nunca vi pelas redondezas. Há também a porta preta, que eu sempre passo na frente mas tenho evitado muito abrir.
0     12:25 PM
Adelaide está fazendo uma compilação linda de mulheres incríveis que já estavam fazendo coisas fantásticas com essa idade. Eu, né, tou longe de ser lá muito significante no universo das coisas. Mas aos 30 tenho conquistado alguns sonhos e isso é bom
0     3:27 PM
Meus sonhos são repetições infinitas da abadia de Sacré Coeur
0     9:28 PM

Há algumas semanas, num aniversário, discutíamos sobre livros. Os melhores livros. Aí alguém disse que gostava particularmente de livros de terror. Citou vários autores etc. Daí me dei conta que, embora gostasse muito desse tipo de filme, fosse meio obssessiva com filmes de zumbis(e eles me divertem, não assustam), nunca tinha lido um único livro de terror. E me recomendaram um em particular. Vários ali já tinham lido e passado muitas noites sem dormir depois. Alguém disse que saía o próprio enxofre do inferno das páginas dele. Daí que já chego na metade e tirando a aparição de uns olhinhos vermelhos que dão um certo frio na espinha tenho achado tudo muito mais ou menos.

Acho que depois de Ruanda fica muito difícil para mim sentir aflição com algo que a imaginação humana pode creditar ao sobrenatural, ao terrível. Ainda tinha pesadelos semanas depois de terminado o livro de Gourevitch. A realidade da vida já é o próprio horror. E é tudo tão absurdo que talvez mesmo a mente mais brilhante seja incapaz de pensar em algo tão ruim. A ficção não dá conta. Explico: hoje passou um programa de tv sobre o tsunami de 2004. Lá pelas tantas o dono de uma pousada dizia que ele só conseguia reconhecer seus funcionários mortos pelo uniforme que usavam, dado o estado dos corpos já no dia seguinte à catástrofe. Na tela, alguém carregava um lençol de onde saía um braço de cor azul petróleo. Mais pra frente a história era de um pai que tentava reconhecer a filha em meio a uma parede só de fotos de corpos. Se isso já não fosse triste o suficiente, alguns segundos depois eu lembrei do cara da pousada quando a outra filha daquele senhor chamava a atenção pro fato de ter reconhecido a irmã numa das fotos por causa da camiseta que ela havia comprado no dia anterior.

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Christiane, 32 anos. Brasiliense. slamgirl[at]hotmail.com

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