0     11:18 PM
A cantora gritante

"Cantava tão bem
Subiam-lhe oitavas
Tantas tão claras
Na garganta alva
Que toda vizinhança
Passou a invejá-la.
(As mulheres, eu digo,
porque os maridos
às pampas excitados
de lhe ouvir os trinados,
a cada noite
em suas gordas consortes
enfiavam os bagos).
Curvadas, claudicantes
De xerecas inchadas
Maldizendo a sorte
Resolveram calar
A cantora gritante.
Certa noite... de muita escuridão
De lua negra e chuvas
Amarraram o jumento Fodão a um toco negro.
E pelos gorgomilos
Arrastaram também
A Garganta Alva
Pros baixios do bicho.
Petrificado
O jumento Fodão
Eternizou o nabo
Na garganta-tesão... aquela
Que cantava tão bem
Oitavas tão claras
Na garganta alva.

Moral da estória: Se o teu canto é bonito, cuida que não seja um grito"

Hilda Hilst
0     7:04 PM
Hm

Essa porra está, sem querer, parecendo alto-ajuda. Vou começar a escrever umas sacanagens. Juro.
0     11:14 PM
Explicando coisas óbvias de forma complexa

Às vezes, o caminho é melhor que o destino. Às vezes, o simples fato de começar uma viagem já provoca uma transformação. Às vezes, o bacana é viajar sem destino, parando nos lugares mais agradáveis. Às vezes, é preciso trilhar um caminho único. Às vezes, São Paulo vira uma novela mexicana.

0     2:40 PM
Um copo de cólera

Alguém me disse que quando sumo por um longo período é que estou trepando muito. A verdade é que engoli uma espinha de peixe-espada que me rasgou a garganta e não me deixa falar. Estive na Sicília. E na Grécia. Por lá, segui os passos de Mayol. Horas e horas de mergulho e apnéia. Desci no mar fundo como nas imagens de Besson e fui, em camera lenta, até onde permitem a náusea e a vertigem. Terminarei fazendo como ele mesmo fez: perder-se naquela paz e naquele silêncio, deixando Joana ao léo.
0     7:02 PM
0     11:34 PM
Ele puxa no umbigo até matar - ou - Chamada em espera

Eu preciso mudar alguma coisa no meu continuum espaço-tempo. Imediatamente. Aí ou colho os louros da vitória ou me fodo no final. Boas opções, ambas.
0     4:23 PM
Que puxa

Brasília continua com a mesma chuva idiota. E na abadia de Thelema, comi tal qual Pantagruel.
0     1:35 AM
There is a light that never goes out

E na vontade de não parar, de não me ater, de não pensar, vou a São Paulo. Engraçado que, pensando agora, a paulicéia me parece um grande quadro sumi-ê ou uma verdadeira noite suja. É que ando meio adepta de Derrida, se é que me entendem. Enfim... Gostaria de conhecer algumas pessoas e reencontrar outras. Mantenham contato. E cuidem do quintal.

0     4:40 AM
Exibições de prestidigitação

Terno beijo. A Márai. De Eszter.
0     5:57 PM
Sambando na lama de sapato branco

Por vezes o melhor é não entender. Não entender o desejo dos outros, os processos alheios e até mesmo as próprias motivações. O hermetismo mais do que nunca torna-se um instrumento de sobrevivência.

Arquivos

Christiane, 32 anos. Brasiliense. slamgirl[at]hotmail.com

hit counter for blogger