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Eu não tinha a menor dúvida de que essa história não ia dar certo. Acho que por isso enrolei este moço durante tantos anos. No fundo eu sabia que, sob uma lente de aumento, eu perceberia que ele é meio babaca e perderia a admiração. Obviamente manter a amizade se tornou impossível. Eu só queria um afternoon delight, minha gente. E ele nunca entenderia a piada, trouxa...
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O sumiço é porque estava trabalhando. E muito. Mas é
estranho como os sonhos nos enganam e as coisas possam se ajeitar se não formos
muito rígidos. Quando estudante de jornalismo, queria cobrir política e
trabalhar no Le Monde Diplomatique. Pois nunca fui tão infeliz como repórter
cobrindo o Congresso.
Ao invés de se mostrar um problema horrível, esta realidade
foi apenas uma porta para o que agora consome o meu tempo e me traz grande
satisfação: dar aulas. E alguma coisa devo estar fazendo certo, já que a primeira
turma para quem lecionei na vida se forma semana que vem e me convidou para ser
homenageada. O fato de eu ter um carinho especial por esses alunos só me deixa
mais orgulhosa e feliz.
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Um antigo prazer que pude voltar a curtir em Brasília foi o night drinving (ótima propaganda da Volks sobre). Na noite paulistana você nunca está descompanhado (9_9), sempre há pelo menos 6 carros ao seu redor a observar.
Para mim, há duas modalidades específicas que gosto muito: assim que saio da última aula do dia, por volta das 11h da noite, quando o corpo já está exausto mas eu ainda curto a excitação de lecionar. Dirijo tranquilamente para casa, ouvindo jazz e blues (rá, a ironia da vida) observando as luzes da cidade enquanto me preparo para receber o amor, o descanso e a trégua que tanto mereço. É preciso deixar registrado o caso de amor que ando desenvolvendo por Thelonious Monk.
Para mim, o night driving é um prazer basicamente solitário, como quando você dirige durante a viagem com todos dormindo. Há apenas você, a música, a arquitetura e a natureza. E Brasília tem essa beleza Aeon Flux que me agrada tanto... É aí que entra a outra modalidade: A da direção da alta madrugada, quando provavelmente estou voltando da acabação. A cidade está quase deserta e posso me deixar levar pela velocidade, pelo fim do álcool, pela noite e pela possibilidade do carro ao lado no semáforo flagrar um amasso ou me ver dançando ao som de uma música alta demais.
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Hoje acordei - ainda sob efeito de drogas - com o telefone tocando à tempo de perceber que em meia hora tinha que estar na casa da chefe (que mora a 10km de distância).
Pois consegui comer, tomar banho e chegar lá no horário parecendo sóbria. Nunca tive tanto orgulho na vida |
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Aos 20, numa aula de antropologia, ouvi que o mundo podia ser dividido entre os que viram Casablanca e aqueles que ainda não.
Hoje, na internet, leio que o mundo pode ser dividido entre os que leram O Hobbit/Senhor dos Anéis* e os que não leram * sempre me impressiona como muita gente se refere a esses livros como cânones da literatura, da vida, do universo e tudo o mais |
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O ano mal começou e eu já experimentei a Lei do Retorno, pratiquei a paciência, rememorei antigos amantes e arrumei novos sonhos. Para os próximos meses pretendo fugir de encrencas, largar uns encostos e arrumar uma meia furada para chamar de minha
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Já ouvi uma vez que quando passo muito tempo longe daqui é que estou fazendo muito sexo. Pois bem. Falemos da minha vida sexual recente:
- Há coisa de 3 semanas, reparei que sempre que volto do trabalho está passando um programa de blues na rádio. E não pude deixar de pensar em como minha vida seria muito diferente se tivesse continuado em São Paulo
- Por falar nisso, havia um moço que sempre foi meu sonho de consumo máximo nas terras paulistanas. Um desejo iniciado muito antes de pensar em me mudar pra lá (fui em 2005, pense). Pois que por um triz muito pequeno não nos encontramos antes de eu voltar. Daí hoje li um troço tão retardado que ele escreveu nas internets que puta alivio, viu.
- Aquisições recentes: um moço que muito se parece com Hugh Jackman no papel de Wolverine e outro que muito se parece a Brienne de Tarth do Game of Thrones
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Tenho muita saudade do que não vivi. Por exemplo: imagina ter lido as irmãs Brontë na adolescência. Naquela época estava metida com poesia provençal, que me ajudava a manter uma leveza e esperança na imaginação. É verdade que era também uma galera que bem sofria, mas o negrume dos ingleses teria sido bacana naquele período.
O problema é que pouco depois conheci o Codex Seraphinianus, catei um milanês, li o O Nome da Rosa e o resto é história. Aí você pergunta "e Calvino?". Calvino chegou na hora certa... PS: gosto também como certas coisas chegam a mim por caminhos tortos. Tipo Johnny Cash, que aprendi a gostar com um moço com cara de bebê que fumava cachimbo e depois descobri que era nazistinha |

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Christiane, 32 anos. Brasiliense. slamgirl[at]hotmail.com

