0     12:12 PM
Ainda não dou conta de falar da morte do Tomas (sim, na véspera do dia dos pais). Foram dias muito barra pesada. Ainda o são. Estou enlutada e não posso viver essa dor de maneira apropriada por causa do trabalho.

Passo os dias apática, confusa e tentando esconder de mim mesma uma saudade tão esmagadora que me impede de respirar. A verdade é que a falta dele está impregnada nesta casa como o cheiro de carniça que perfume nenhum disfarça. 

Levei 1 semana para ter coragem de dormir na nossa cama. Ainda evito este lugar. O silêncio toda vez que abro a porta funciona como um tapa na cara que sei que vou levar por muito tempo ainda. Muita gente me diz para focar nas lembranças felizes. Heh, elas ferem bem mais - agora que ele não está aqui. 

0     7:47 PM

0     11:25 PM
Eu não tinha a menor dúvida de que essa história não ia dar certo. Acho que por isso enrolei este moço durante tantos anos. No fundo eu sabia que, sob uma lente de aumento, eu perceberia que ele é meio babaca e perderia a admiração. Obviamente manter a amizade se tornou impossível. Eu só queria um afternoon delight, minha gente. E ele nunca entenderia a piada, trouxa...
0     8:37 PM
O sumiço é porque estava trabalhando. E muito. Mas é estranho como os sonhos nos enganam e as coisas possam se ajeitar se não formos muito rígidos. Quando estudante de jornalismo, queria cobrir política e trabalhar no Le Monde Diplomatique. Pois nunca fui tão infeliz como repórter cobrindo o Congresso.

Ao invés de se mostrar um problema horrível, esta realidade foi apenas uma porta para o que agora consome o meu tempo e me traz grande satisfação: dar aulas. E alguma coisa devo estar fazendo certo, já que a primeira turma para quem lecionei na vida se forma semana que vem e me convidou para ser homenageada. O fato de eu ter um carinho especial por esses alunos só me deixa mais orgulhosa e feliz.
0     11:17 PM
Um antigo prazer que pude voltar a curtir em Brasília foi o night drinving (ótima propaganda da Volks sobre). Na noite paulistana você nunca está descompanhado (9_9), sempre há pelo menos 6 carros ao seu redor a observar.

Para mim, há duas modalidades específicas que gosto muito: assim que saio da última aula do dia, por volta das 11h da noite, quando o corpo já está exausto mas eu ainda curto a excitação de lecionar. Dirijo tranquilamente para casa, ouvindo jazz e blues (rá, a ironia da vida) observando as luzes da cidade enquanto me preparo para receber o amor, o descanso e a trégua que tanto mereço. É preciso deixar registrado o caso de amor que ando desenvolvendo por Thelonious Monk. 

Para mim, o night driving é um prazer basicamente solitário, como quando você dirige durante a viagem com todos dormindo. Há  apenas você, a música, a arquitetura e a natureza. E Brasília tem essa beleza Aeon Flux que me agrada tanto... É aí que entra a outra modalidade: A da direção da alta madrugada, quando provavelmente estou voltando da acabação. A cidade está quase deserta e posso me deixar levar pela velocidade, pelo fim do álcool, pela noite e pela possibilidade do carro ao lado no semáforo flagrar um amasso ou me ver dançando ao som de uma música alta demais.
0     2:02 PM

0     11:14 PM
Hoje acordei - ainda sob efeito de drogas - com o telefone tocando à tempo de perceber que em meia hora tinha que estar na casa da chefe (que mora a 10km de distância).

Pois consegui comer, tomar banho e chegar lá no horário parecendo sóbria. Nunca tive tanto orgulho na vida
0     3:55 PM
Morning sex*





*maior lenda da paróquia, hein? nunca que vi
0     10:55 AM
Aos 20, numa aula de antropologia, ouvi que o mundo podia ser dividido entre os que viram Casablanca e aqueles que ainda não.

Hoje, na internet, leio que o mundo pode ser dividido entre os que leram O Hobbit/Senhor dos Anéis* e os que não leram

* sempre me impressiona como muita gente se refere a esses livros como cânones da literatura, da vida, do universo e tudo o mais
0     6:17 PM
O ano mal começou e eu já experimentei a Lei do Retorno, pratiquei a paciência, rememorei antigos amantes e arrumei novos sonhos. Para os próximos meses pretendo fugir de encrencas, largar uns encostos e arrumar uma meia furada para chamar de minha

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Christiane, 32 anos. Brasiliense. slamgirl[at]hotmail.com

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