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As Pétalas de Cerejeira
Outro ponto de observação. Outra ótica. Outra lógica. Outros meios de conhecimento e controle. As imagens de leveza, em contato com a realidade presente e futura, não dissolvem-se. Possuo os olhos de Perseu. |
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Tempos Modernos
Moro desde que nasci num apartamento de esquina e, acredito que não seja mistério para ninguém, crianças são seres cruéis e do mal. Principalmente quando têm muito tempo livre para arquitetar peraltices. Então um dia um garoto observou que várias pessoas passavam durante toda a tarde na calçada rente à esquina do prédio, e pensou que seria divertido pregar peças nos pobres passantes. Ele foi até o armarinho da Dona Áurea e comprou uma cobra de pano. Amarrou uma cordinha nela, colocou uma pedra no outro extremo da calçada e lá escondeu a bichinha. E ficava lá sentado na ponta do bloco, com a cara de cachorro molhado tô-só-observando < piada interna >. Aí quando algum pobre coitado passava ele já com o semblante transformado em Satanás puxava a cordinha e fazia o despreparado transeunte pular três metros, dar um gritinho e fazer aquela cara de idiota típica de quando se toma susto. Nesse ponto é preciso esclarecer que, por algum motivo que desconheço, todos os casais moradores do prédio (meus pais inclusive) resolveram se reproduzir na mesma época, o que gerou uma verdadeira gangue de uns 30 remelentos de uma vez só. A notícia logo se espalhou e a molecada marcava de se encontrar depois da Sessão da Tarde na ponta do bloco para rir com escárnio de suas vítimas. O tempo passou, algum sem graça puto com a brincadeira rasgou a cobra para a tristeza de todos e tivemos que pensar em outra diversão para as tardes dos idos anos 80. Acontece que este ser maquiavélico cresceu, tornou-se "metaleiro maldito" e acreditava que qualquer coisa além de Ramones, Iron Maiden e adjacentes era coisa de "massificado da moda". O auge dessa tristeza se materializou quando ele preencheu de músicas do Pantera um lado INTEIRO da minha fita da Tieta. Uma relíquia perdida, veja só. Mais tarde ele percebeu a estupidez do radicalismo e adquiriu um gosto eclético e muito bom. Mas parece que ele levou isso muito a sério. Hoje em dia o garoto divide os dread-locks num fotolog cheio de comentários de menininhas que falam com onomatopéias bizarras (tipo: huahuahuahuahuahua e kkkk) e erros crassos (como: q fofuu gatinhuuu). Agora, o pior mesmo, é ele se sujeitar a não perder um episódio de Friends e ainda por cima achar engraçado, muito engraçado. |
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Hardy-Har-Har Mode On
Eu sou uma senhora de 90 anos decrépita e com tosse de cachorro velho porque me meti a fazer danações em noites sujas e do mal este fim de semana. Agora imagine o que será dessa senhora de 90 anos decrépita e com tosse de cachorro velho na FRIACA que está São Paulo sábado que vem, depois de uma semana tendo ataques-da-perequita-louca-ui-ui-ui-mulherzinha-enxaqueca. Oh céus, é o meu fim. |
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Existem Horas Que as Paciências Dão Adeus Lá de Cima da Serra Verde
Ô semana da moléstia. Xô xô, agouro. |
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Os Marcianos Estão Chegando, Estão Chegando os Marcianos
Quarenta horas sem dormir. Meu reino por uma sesta de quinze minutos. |
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One Year of Real Slam
Nem só ao vento é permitido, ao final das contas, pelo infinito circular. Esse meu descaminho, que com tão pouca pretensão foi ficando, ficando, até tomar uma dimensão nunca esperada. É como aqueles (a)casos amorosos, desarvorados, que começam assim, meio loucos, meio desvairados e vai se tornando necessário, amor antigo, de chinelos velhos na varanda. Em um ano de literal e puro :: SLAM ::, acabo morando nos clichês e nos sensos comuns em dizer que a menina ainda dança, mas com certeza num compasso completamente diferente do que começou. É como dizem aqueles baianos: Jogando meu corpo no mundo, andando por todos os cantos e pela lei natural dos encontros eu deixo e recebo um tanto no que fica em cada um, no que sigo o meu caminho. A flor de mandacarú, a força de Gally, a dança de Ganesha e o som do om. Abelha, carneirinho, acabou chorare. E é engraçado perceber que acaba que se diz muito melhor quando na verdade não se quer dizer. Mas não se preocupe, que sai pra lá esse navio sem rumo por (espero) mais um ano, que sem porta sempre aporta no óbvio da curiosidade. |
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Peste e Carestia³
Era uma vez, uma mocinha que há tempos tinha perdido o seu "muque do Popeye" devido a um mal que a acometia. Ela já havia subido a velha e desorganizada torre do boticário da vila para curar o seu flagelo (e realmente o fez), mas acontece que a pestilência acabava voltando. Então, uma vez um mago muito sábio lhe sugeriu que procurasse um fisiatra que, veja bem, é aquele que promove a saúde atravez da PREVENÇÃO da incapacidade física (detalhe para o termo incapacidade) e reabiltação de indivíduos incapacitados (note bem, note bem) por lesão. Então lá se foi a mocinha ao tal fisiatra achando que ele lhe passaria uma erva, um emplastro, um elixir ou algum tipo de rito periódico que ela fizesse para evitar de ter o malefício novamente. Porque, sim sim, a mocinha sabia que com os hábitos que ela tinha (e não havia como deixar de tê-los), os tratamentos eram sempre para acabar com o mal já instalado, mas sem efeito que o impedisse de voltar. Acontece que o fisiatra passou o mesmo tratamento dado pelo boticário da velha torre desorganizada, e ela ficou triste triste. Porque a mocinha sabia que iria novamente participar do verdadeiro experimento sociológico que é fazer fisioterapia, que ia prometer descrevê-lo novamente e não o cumpriria. Então a mocinha decidiu cortar o pobre bracinho que nem tão cedo ia ter o "muque do Popeye" e subiu no mais alto morro da vila para dar fim ao seu intento. Subiu que subiu o morro. Ofegante, a mocinha esbaforida já estava de serrote em punho, olhos fechados quando de repente... ping! Uma gotinha d'água caiu bem na ponta do seu nariz. E outra, e outra e milhares de novas gotinhas tomavam conta do seu rosto, até se tornar uma chuva torrencial. Eis que depois de três meses de secura finalmente chovia na vila, e a mocinha teve isso como um sinal. Decidiu então que iria percorrer até o mais longínquo reino, em algum lugar haveria de ter um alquimista que desse jeito na sua mazela. Cabe agora a você, caro leitor, esperar mais um episódio desta interminável odisséia. |
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A História da Renovação Gradual do Homem
Sou como Raskólnikov fazendo muchocho febril sem saber se mata a velha ou compra uma bicicleta. Mas o meu fim definitivamente será a Sibéria. |
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Arquivos
Christiane, 32 anos. Brasiliense. slamgirl[at]hotmail.com
